O Instituto Junguiano do Paraná - IJPR é parte da Associação Junguiana do Brasil - AJB, a qual é membro da International Association of Analytical Psychology - IAAP de Zurique.
É uma entidade cultural, de direito privado e sem fins lucrativos.

Como o eixo axial de um cristal, que se expressa em suas múltiplas possibilidades, esta Instituição atribui-se a tarefa de caminhar pela escuridão da psique humana, através de aspectos intelectuais, teóricos, fortes e profundos, inspirados na obra de Carl Gustav Jung, entrelaçados a vivências genuínas e singulares de seus participantes. Este amálgama permitirá brotar uma compreensão idiossincrática da psique humana.
A logomarca do IJPR foi criada por Felipe Fernandes de Azevedo e é um composto do vaso alquímico, a árvore araucária e sua raiz serpente. Imagens que surgiram do consenso de seus fundadores em busca de um continente para que transformações possam florescer da união de profissionais e personaliddades em suas singularidades. Escolhemos a araucária, símbolo de nosso Estado, cuja raiz diz-se fortíssima, que possui espécie macho e espécie fêmea, remetendo-nos à conjunção dos opostos, como o caminho e o crescimento para o imutável e o eterno. A raiz especial sob forma de serpente, mercurial por sua própria natureza, encaminha-nos para o movimento profundo, a serpente que está em contato contínuo com a terra e que dá dinâmica à árvore, dentro do vaso, útero em que novas formas de vida podem surgir a partir dos movimentos que se desenrolam em seu interior.
Enorme prazer em estar voltando à PUC, que ainda como UCP, acolheu-me forasteira, no início dos anos 70, com muito pouco para oferecer!
Poucos daqui viveram a experiência de estudar no antigo e charmoso prédio da Rua XV, ao lado do Colégio Santa Maria. Aliás, prédio onde na década de 80 instalamos o Instituo Paranaense de Psicologia, lembrança de mais alguns dos presentes: tempo de fermentação e aparecimento de um jeito novo de se trabalhar em equipe.
Venho agora para trazer novo fruto que foi plantado e cultivado por muitas das pessoas aqui presentes e que agora juntos estamos podendo trazer a semente de um novo projeto: o Instituto junguiano do Paraná.
Esta parceria com a PUC iniciou-se em 1995 quando artesanalmente iniciamos o primeiro curso de Especialização em Psicologia Analítica, possível principalmente pela colaboração de muitos dos meus colegas e professores da AJB, de São Paulo, Campinas e Rio de janeiro e de alguns professores junguianos aqui de Curitiba. De um certo modo estivemos, como que, germinando este novo instituto.
Muitos participaram, em tempos diferentes, para a constituição deste instituto que hoje tenho como tarefa presidir. Muitos se aproximaram e depois, por motivos vários, tomaram outro rumo. Saudades de cada um!
Entretanto duas pessoas foram os primeiros inspiradores deste processo todo, Carlos Harmath, professor e amigo de longa data, que, há mais de 20 anos nos apresentou a obra de Jung com grande profundidade e criatividade e Fanny Liggeti, inesquecível analista de alguns dos primeiros junguianos desta cidade, que durante pelo menos dois anos vinha quinzenalmente a Curitiba. Uma lição de vida ficou da nossa querida Fanny!
Outra figura chave,presente continuamente neste processo foi Glauco Ulson, que desde 1998, inseria o Instituto do Paraná nos vários encontros da AJB.
Entretanto pudemos viabilizar o IJPR quando, IJUSP depois de muitas percalços, inciou a segunda turma de formação.
Nós aqui de Curitiba tivemos a idéia de fazer uma composição entre SP e Curitiba: seminários durante 3 semanas em Curtiba e uma semana em SP, só por 3 aninhos: reações esfuziantes aconteceram neste tempo!
Apesar dos vaticínios pessimistas, 9 das 9 que inicicaram chegaram bravamente ao fim do processo! Duas delas terminaram as horas de análise, supervisão e depois apresentaram monografias: Renata em agosto de 2004 e Sonia em maio de 2005.
Renata e eu decidimos que juntas poderíamos tentar concretizar o IJPR, naquele momento, um imperativo: não havia mais álibis para continuarmos ligadas a nosso instituto de origem, o de São Paulo, que nos acolheu e cujos membros, todos sem exceção tornaram possível a primeira formação aqui em Curitiba. Todos sempre muitos disponíveis, tanto que de um grupo de 10, 5 vieram formar conosco o novo instituto, um projeto de um grupo de pessoas para quem a amorosidade e o compartilhamento são ingredientes essenciais para a produção de conhecimento, aliados ao respeito à diversidade e singularidades.
Fica aqui a lembrança de que a fundamentação filosófica da nossa abordagem , o paradigma no qual estamos inseridos, baseia-se não apenas no princípio da causalidade e no pensamento lógico, mas principalmente no princípio da concomitância, leia-se sincronicidade, e no pensamento analógico.
A escolha do Gustavo sobre a prática clínica vem para desenhar isto que acabamos de comentar.